A partir de hoje, 30 de julho, a humanidade passa a viver de crédito ou no “cheque especial” com o planeta. Em 2025, foi ainda antes: 24 de julho, o que dá uma falsa impressão de que “estamos melhor”.
O Dia da Sobrecarga da Terra é a data que esgotamos, em apenas sete meses, tudo o que seria possível produzir e regenerar ao longo de 12 meses. De agora em diante, seguimos consumindo, mas a conta já está no vermelho.
O cálculo é feito anualmente pela Global Footprint Network, organização internacional que criou o conceito de pegada ecológica e biocapacidade.
Na prática, a metodologia compara quanto a humanidade consome de recursos naturais com quanto os ecossistemas conseguem repor no mesmo período.
O resultado deste ano é o pior já registrado: seriam necessários 1,73 planeta Terra para sustentar o ritmo atual de consumo e isso inclui não só alimentos, madeira e água, mas toda a infraestrutura construída para sustentar as cidades e a capacidade da natureza de absorver o CO2 que emitimos.
Um recuo que engana
À primeira vista, os 6 dias “de folga” em relação a 2025 podem parecer uma boa notícia. Mas segundo a Global Footprint Network, o recuo é resultado de um ajuste técnico: uma revisão para cima na capacidade dos oceanos de absorver carbono empurrou o cálculo em 8 dias.
Ao mesmo tempo, o agravamento real da pegada ecológica no último ano antecipou a data em 2 dias. No saldo final, sobraram os 6 dias de diferença. No entanto, o nível de sobrecarga em si é o maior da história.
É a segunda vez consecutiva que a data cai em julho. Nos cinco anos anteriores, o mundo só entrava no vermelho entre 1º e 5 de agosto.
Recuar no calendário, olhando para décadas, é o movimento contrário: em 1972, início da série histórica, a Terra só esgotava seus recursos em 31 de dezembro.
Até 1999, o marco ainda ocorria em outubro. De lá para cá, o dia foi avançando ano após ano, sinal de que o descompasso entre consumo humano e capacidade de regeneração do planeta só aumenta.
A dívida que não para de subir
Esse desequilíbrio não desaparece quando o ano vira, ele se acumula. Segundo o relatório, a dívida ecológica global já soma o equivalente a 20,6 anos de plena produtividade biológica da Terra.
Ou seja: se fosse possível reverter todo o estrago hoje, ainda assim o planeta levaria mais de duas décadas, funcionando a pleno vapor, para repor o que já foi consumido além da conta. E os cientistas da própria organização admitem que boa parte desse estrago provavelmente “não tem volta”, é irreversível.
Fonte: Exame



